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O “telefonema”1 de Oswald de Andrade publicado no Correioda Manhã em 02 de fevereiro de 1944 atendia a uma reverberaçãodo momento. “Renascimento do teatro” era o título, e, abaixo dele, oescritor discorria sua grande expectativa a respeito da peça Vestido denoiva, de Nelson Rodrigues, a qual havia estreado no Rio de Janeiroaproximadamente um mês antes e já causava furor como um dosgrandes acontecimentos do teatro brasileiro. De São Paulo, Oswaldprojetava a grandiosidade do espetáculo: “Quando mais nada se esperavado teatro nacional, estabilizado num atraso teimoso, [...] ei-loque ressurge numa inesperada forma sob o aspecto de tentativa deum grupo intelectual.” (ANDRADE, 2007, p. 71). O grupo amadorOs Comediantes já angariava a fama de renovador da arte teatral brasileira,mesmo entre aqueles que não haviam assistido ao espetáculo,o que, como veremos ao longo deste trabalho, tem a ver também com a hábil inserção do conjunto e do autor de Vestido de noiva nas páginasde imprensa. “Não assisti Vestido de noiva, de Nelson Rodrigues,a revelação da temporada”, admite Oswald, “Mas conheci-o pessoalmentee quando vejo um modernista preocupado com Shakespearesinto nele pelo menos um trabalhador que enxerga seu caminho.”(Ibidem, p. 71-72). Além de tratar Nelson como modernista, saúda ainiciativa de Os Comediantes de “começar-se a apresentação do teatromoderno do Brasil” (Ibidem, p. 72), e o anseio de testemunhar acriação é renovado: “São Paulo espera Vestido de noiva, de NelsonRodrigues.” (Ibidem, p. 72).
Page Count:
0
Publication Date:
2025-01-01
Publisher:
Alameda Casa Editorial Ltda.
ISBN-10:
6559663639
ISBN-13:
9786559663637
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