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Tomamos a pergunta lançada pelo narrador Riobaldo em Grande Sertão: Veredas, romance de João Guimarães Rosa, que intitula este projeto de tese, menos como profecia e mais como dispositivo para pensar linhas de argumentação nos múltiplos sentidos que o verbo acabar nos sugere. Perguntamos: a cidade acaba, no sentido de limitar, findar, terminar, quando o sertão começa? A cidade acaba, no sentido de dar acabamento, de dar forma, moldar, modelar, o sertão? Ou a cidade acaba, ao eliminar, exterminar, anular, com o mundo do sertão? Consideramos que o fim da cidade e o fim do sertão não são coisas distintas, mas o lugar onde duas condições diferentes se encontram, se reconhecem e configuram uma borda. Desde o centro, a cidade, enquanto ideia totalizante dos modos de ser e estar no mundo, configura um cerco para o sertão, propagando seus signos de modernidade e progresso, agregando sob um mesmo conceito tudo aquilo que se entende como “civilização”. Desde um fim de mundo, termo normalmente utilizado para fazer referência aos lugares considerados vazios, longínquos, atrasados, selvagens, fora da lei (MOURA, 2017, 2020), o sertão ora é romantizado, ora é estigmatizado pelos discursos hegemônicos colonialistas que excluem aquilo que parece não ter mais lugar nos fluxos de um pretenso progresso que indiferencia transformação e desenvolvimento (FREIRE, [1968], 2019).
Page Count:
0
Publication Date:
2023-01-01
Publisher:
Paisagens Híbridas Editoria e Atelier de Encadernação
ISBN-10:
8569970226
ISBN-13:
9788569970224
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