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Todos que se interessam pelo estudo de cidades conhecem o flâneur, personagem criado por Charles Baudelaire para simbolizar o processo de apreciação e vivência do espaço metropolitano na modernidade. Corria a segunda metade do século XIX e as grandes cidades europeias estavam rapidamente se modificando, tornando-se mais complexas e dotadas de significados e personagens diversos, pautando-se por um ritmo acelerado que passou a fazer parte, desde então, daquilo que começamos a chamar de espaço urbano. O flâneur era esse apreciador da metrópole, que misturava em partes iguais a nostalgia pela cidade que era deixada para trás no processo de renovação urbana com a fascinação pela cidade nova que surgia. O filósofo Walter Benjamim (2000), analisando a sua constituição, irá dar a real dimensão da transição que ele representa: o flâneur é um personagem essencialmente urbano. Ele se constitui na e pela cidade, transferindo para o espaço público as atividades que o burguês desempenhava recluso em seu espaço privado. Assim, as ruas, os cafés e os parques irão se tornar a casa desse personagem. Ali ele lê o seu jornal, ele escreve suas observações, ele passeia e se comporta tão à vontade como se estivesse em sua residência. O flâneur se sente, no espaço público das cidades, tão confortável quanto o burguês se sentia em seus espaços privados.
Page Count:
158
Publication Date:
2023-01-01
Publisher:
Paisagens Híbridas Editoria e Atelier de Encadernação
ISBN-10:
8569970315
ISBN-13:
9788569970316
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